Meu Filho não é apenas um bebê. Juro. Suspeito ser ele a doçura, em pessoa! Um sorriso em forma de criança... Talvez um baú pequenino repleto de encantos... Ou até mesmo um raiozinho que escapuliu do sol e veio parar aqui, na minha vida!
Ele não é uma simples pessoa, confesso...É um serzinho sublime, muito pequeno, dependente. Eu acho... Mas dentro dele cabe a maior felicidade do mundo! Temo algum dia eu explodir, de tanto orgulho. Ou morrer, de tanto amor!
(Por Daline Carla)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Escalada de L.A.: mais um degrauzinho para a grande vitória!

Meses a fio de preocupações com cada detalhezinho na dieta do alérgico-baby e a mamãe se depara apegando em cada detalhe que - aos olhos mortais - parecem tão bestas, inúteis e ridículos insignificantes, mas que para uma mãe de alérgico - que não são tão mortais assim, suspeito eu - ganham o posto de verdadeiros troféus.

Aí sentei para fazer a contabilidade de todos os leites artificiais que Caio consumiu nesses 24 meses de vida, e cheguei nesse resultado: (Justifica quando dizem que ele é grande, mas não justifica o peso-pena do campeão!)


Aprofundando na contabilidade, se eu tivesse tido de comprar todos esses leites (cena que não é incomum neste país de tantas injustiças!), pagando o valor de mercado com o preço vigente na época em que cada marca foi utilizada, teriam saído de nossos bolsos a quantia ínfima de R$ 78.700,00!!! Graças ao Bom Deus, nunca precisamos comprar nenhuma lata, Deus sempre nos proveu a quantidade necessária para alimentação e tratamento de nosso filho, através do Governo ou doações de amigos. Graças a Deus por isso!

Mas o ápice deste post reserva-se ao fato de que, após abrir 241 latas de fórmulas especiais, mamãe teve o luxo de abrir UMA CAIXINHA de leite para oferecer ao meu filho!!! O orgulho foi parar na próxima galáxia! Alguns poderão imaginar essa emoção e a gradiosidade deste gesto, mal consigo acreditar, agora posso comprar o leitinho do meu filho em qualquer mercadinho, sem precisar vender minha casa para custear isso! Sem palavras para agradecer ao meu Deus...

Olha aí o novo leitinho do Caio! Ainda precisamos controlar a quantidade de lactose que ele ingere pois, após 22 meses de dieta de leite e sem contato com lactose, ele provavelmente tenha desenvolvido uma intolerância à lactose transitória. Mas é só introduzirmos aos pouquinhos que o organismo dele vai voltando a produzir a enzima lactase e logo reaprende a digerir o açúcar do leite.
Teoricamente Caiozito ainda está em dieta de lactose, ovo, gluten e soja... mas confesso que já andei liberando algumas coisinhas e ele está ótimo! (não conta pra ninguém, ta?)

Perguntaram-me se Caio estava feliz por ter se livrado da dieta. Respondi que, além do sabor do leite, nada havia mudado na vida dele. Explico: como Caio ficou curado com pouca idade, nunca precisei dizer para ele que ele não podia algo, sempre dava um jeito de disfarçar e oferecer algo em troca quando ele pedia algo que não podia, pois temia traumatiza-lo e ele não aceitar os alimentos quando estivesse curado, então ele nunca soube que estava em dieta. E Caio não é daqueles bons de garfo, em português claro: ele não tem prazer em comer, então não aprovou danoninho e outros luxos que foram liberados para ele! Mas ele agradece o sabor do novo leitinho que - vejam só - tem até espuminha!

Nesse comecinho do ninho ele está apresentando diarreia, o que é esperado por estar ingerindo esses 10% de lactose, e também esperado que logo passe, assim como passou toda a chatice da adaptação com a proteína do leite do nan sem lactose... Nem contei né? deu constipação intensa, vômitos, recusa alimentar...mas já passou, já passou! Nem vale a pena tocar no assunto.

Então agora é só ter cuidado na introdução da lactose, introduzir ovo e gluten oficialmente e pronto, livres de dieta. Vida normal. Glórias a Deus!

Para quem ouviu a opinião médica que a previsão era de que aos 5 anos Caio não poderia comer nada, tá de bom tamanho, ta não?

PS: Caio fez 2 aninhos e a mamãe ficou com preguiça de escrever um post, mas fizemos uma festinha linda para ele, e a mamãe morreu de orgulho por ter caprichado na decoração, confira algumas fotos aqui em baixo, e as fotos na íntegra no facebook da mamãe













quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cumé que é???

(1). A gente encontra o famigerado tio Xan, que está bem abatido. Mamãe explica pro Caio que o titio está dodói... o menino fica aflito mas logo encontra uma solução: "mamãe, assopra o tio Xan!". Eu assoprei né, não vamos matar o jeito mais fácil de acalmar o berreiro a fantasia da criança...Mas o sopro da mamãe - por enquanto - só cura joelhos machucados e não tem eficácia comprovada para problemas gástricos, e o pobre do tio continuou com dores. Daí, indignado, Caio protesta: "Assopra forte, mamãe!". (Oi??? alguém me acode, pelamordedeus?)


(2). Em conversa despretensiosa mamãe informa: "Caio, amanhã é o parabéns da Lara!"... ele repete as palavras e logo presume que terá púa-púa-púa, balões, crianças... faz uma cara de pensativo e me solta essa: "Mamãe, o que é amanhã?"
E a atordoada mãe, perplexa ao quadrado, exclama: "Hãããã???"
Caio, muito paciente, repete: "O que é A-MA-NHÃ?!" (enfatizando assim mesmo, juro!)
Poxa, ele tem apenas 23 meses... já teria chegado a fase das perguntas? (nos dias seguintes percebi que sim - já chegou!). Céus! Pobre de mim!


(3). Segunda visita de Caio à praia, ainda mais encantado com o mar. Dessa vez com o desejo de independência ainda mais aguçado. Queria ficar sozinho no mar... e a mamãe - muito boazinha - atendia o pedido deixando-o solto mas ficando colada no menino e com o número dos bombeiros já discado no celular. A onda vinha e passava por cima dele, assim que ele se recuperava, ele dizia: "a onda molhou meu cabelo!".
Poxa, cumé que eu nunca tinha pensando por esse ângulo nas vezes que tomei um caldo? eu não engoli água salgada, não passei instantes sem respirar... não! a onda só quis molhar meus cabelos!

PS (1): O tio Xan se recuperou e passa bem, obrigada.
PS (2): veja o ensaio completo do evento "segunda visita de Caio à praia" aqui.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Alegria de pobre...

To devendo notícias sobre o nan sem lactose né? Lá vai: o nan está muito bem, sem alterações visíveis, com resultados dentro do esperado: estão lá as latinhas guardadas, imóveis, intactas, LACRADAS! Pois é, não chegamos a abrir nem a primeira lata... explico:

Na noite que antecedia o teste, bem no pico de minha ansiedade e apreensão, no auge de minha aflição, quando doía até as juntas, medulas e a divisão da alma e as unhas já tinham virado pó, o fofucho resolveu adoecer, só para me contrariar. Juro.

Bem que tentei ocultar os fatos, mas Caiozito resolveu ficar tombado, prostrado e com febre em plena sala de espera do consultório médico. Aí que nem se eu caprichasse no discurso usando cada palavra de meu vasto vocabulário que eu conseguiria convencer a médica.  Fui obrigada a aceitar  que o teste seria inviável naquela situação, recebemos o diagnóstico de laringite e voltamos para casa com o bom e velho pregomin e a orientação de esperar sarar sozinho, não era nada grave. E não poderia administrar corticóides ao coisa linda pois inviabilizaria o teste reagendado pra semana seguinte.

Mas como por aqui nada é simples, nada é de graça, nunca é fácil, cada probleminha vem acompanhado de um plus, cada doença sempre traz um brinde... no dia seguinte, ao notar piora do quadro e levá-lo ao PS (Oi, hospital... quanto tempo!) o diagnóstico já tinha mudado: além de laringite já tinha otite, garganta "vermelha" (por acaso o normal é ser azul?) e pulmão um tanto quanto cheio, mas não chegava a ser pneumonia... talvez consequência dos engasgos que teve por conta da laringite. Não se sabe.

Lá vamos nós comprar amoxicilina. Essa é a parte fácil. Duas vias de receita, genérico tá baratinho. Missão cumprida. A parte difícil é administra-la ao big-mini-man. Tarefa para dois - desde que treinados em luta livre, ou para mais de meia dúzia de amadores. Eita minino bravo!

Esqueci de citar, mas nem precisava né? Advinha quem se escafedeu antes mesmo de a doença dar as caras? ele mesmo, o apetite! E lá vai Caio para mais 10 dias sem comer nada. Leia-se "nada" como NADA MESMO, nadinha, nothing, zero. Eram 90ml de pregomin a cada 4h e ólela. E Caio lá, prostradinho, amuado... o lado bom é que aproveitei para pegá-lo muito no colo! (Só assim mesmo para ele aceitar o humilde colinho de mãe!).

Três dias depois de começar o atb a febre cedeu...Caio voltou a ser o furacão de sempre, mas nada de comer ainda (comer pra quê né?). E quando penso que vou respirar aliviada... abro uma fralda com um brinde surpresa: o nº 2. Mas não um número dois bonitinho (sim! existem cocôs bonitos, quem é mãe sabe disso. Quem é mãe de alérgico raramente vê essa cena, mas já ouviu em lendas de que eles existem!), era uma baita duma diarreia cheia de muco e com sangue! Desespero geral. Liga pro SAMU. Grita pela vovó. Acode a mamãe, que desmaiou. Mentirinha... estou devidamente treinada e capacitada para lidar com situações assim. Respirei fundo, mentalizei vibrações positivas, troquei a fralda, taquei nistatina na assadura oportunista que já vinha aparecendo, botei a bolsa nas costas e simbora pro ensaio. Caio, senta aí e fica quietinho, deixa a mamãe e o papai tocarem.

Ele não ficou quieto mesmo, mas tudo bem. Dia seguinte liguei pra médica e, como eu imaginava, ela confirmou que era mesmo reação ao antibótico, que o maldito tava ferrando o intestino do meu pequeno e por isso sangrava. Mas achou prudente não interromper o antibótico antes do tempo prescrito (10 longos dias!), tentar controlar a diarreia com florax e depois que acabar o tratamento a gente corre atrás do prejuízo. Entenda-se por "correr atrás do prejuízo": ajudar o intestino a se recuperar. Entenda-se ainda: DIETA. Num me diga?! Sempre ela. Até que esteja 100% e passe por nova avaliação pra ver se está apto pro teste do leite. A essas alturas do campeonato quem se importa com a meleca de teste, némesmo? que se exploda esse teste! Num queria mesmo...

Atualmente Caio está se recuperando, com diarreia mais ou menos controlada, voltando a comer com muito chororô, manipulando os mais velhos, esperneando, tentando fugir esforço, a cada colherada uma negociação. Por enquanto só arroz, batata, frango, maçã e pêra. Voltou a dormir direitinho, grazaDeus. E nós aqui, esperando mais um mês pelo... pelo que mesmo? esqueci.


PS: No dia do teste mamãe explicou: "hoje viemos aqui pois a médica vai dar o tetê novo, não é remédio ta? toma direitinho, é o tetê novo. T-E-T-Ê--N-O-V-O!". Mas ai o teste não ocorreu (cêmijura?). Já no carro, ao oferecer a mamadeira, ele pegou todo empolgado e disse: "tetê novo! a "méca" que deu!"

Santa inocência!




quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Notícia boa: a gente também vê por aqui.

Mais de mês sem post novo por aqui... passou natal, passou reveillon e nada de a ingrata postar notícias. Pense pelo lado bom: isso significa que está tudo bem! Porque se estivesse algo fora do lugar já teria passado aqui para me lamuriar. E tá mesmo tudo excelentemente ótemo, obrigada!

Antes de mais nada, meus votos a todos de um 2012 repleto de vitórias, conquistas, cura, banquetes cada vez mais variados para todos os alérgicozinhos deste Brasil!

Passamos as festas muito bem, obrigada. Viajamos para o meio do nada interior de SP e Caio ganhou o mundo. Pisou na terra, nadou no rio, nadou na piscina, nadou na poça de lama. Conheceu pessoalmente o galo, a vaca, o boi, alimentou o cabrito, alimentou a mamãe (com o papá do cabrito). Subiu na árvre, digigiu o tatô, entrou (sem ser convidado) em meia dúzia de ranchos do condomínio Bela Vista do Tietê (isso memo: Tietê, e a vista é bela mesmo!). Indroduzimos alimentos novos da dieta dele: areia, terra, frutinhas desconhecidas colhidas direto do pé, sola de chinelo, insetos mortos. Deu certo. Porque essas coisas dão errado nunca. Chuchu malvado.

 Comportou-se como um anjo durante a viagem toda, quando voltamos para casa ele compensou toda a chatice desativada durante a viagem. O menino conheceu o sabor da liberdade e gostou. Ficar horas preso dentro de casa foi tarefa cruel depois disso. Mas sobrevivemos. Acho. 

A alergia - pasmem!- tem deixado de ser o centro das atenções em nossas vidas. Caio tem um cardápio bem variado, nas festinhas e reuniões ele pode até comer pipoca,  batata frita e algodão doce (poder, pode, mas este ele não come - porque tem medo - pudera! textura assustadora essa, do algodão doce.) E o fofucho nunca esteve tão bem! Há semanas não vejo a cara da diarreia, as fuças do vômito e o ar da graça da cólica por aqui! Que todos eles se dêem as mãos e descansem em paz!

Nesta viagem Caio tomava tetê gelado, usava repelente fidido o tempo todo, andava descalço, comia as comidas exóticas já citadas acima, e nenhuma tosse, nenhum espirro, nenhuma diarreia. Nadinha de nada! Apenas uma alergia cretina do calor, que fez com que a fralda da marca que usa desde que nasceu desse irritação... o pobrezinho se coça tanto na região da fralda que levanta vergão e até sangra! Esse fato maldito está me obrigando a tentar suicidio um desfralde precoce. E haaaja paciência: ele diz que "faz xixi no chão porque Caio é neném". (Posso?). Mas isso fica para um post a parte, de preferência com a situação solucionada. Que venha o desfralde. Ou o frio. Ou os dois. Ou quem chegar primeiro. A essas alturas do campeonato, tanto faz! (oi?)

Mas a coisa tá tão very good, mas tão very very good por aqui (Thank, God!) que a mamãe está se dando o luxo de pensar em outras coisas. Uma loucurazinha, como tentar dirigir, por exemplo (e ainda ter a pachorra de pedir permissão legal para esse desplante!). Mudar de casa, por outro exemplo. (Bolso, bolsinho meu, aguente firme!). Um bolinho de aniversário pro Caio (só bolinho este ano, o bolso tá se esforçando mas não tá guentando o tranco não!). Testar leite de vaca pro coisa fofa (segunda, dia 23/01 - tá chegando!), testar ovo e gluten logo em seguida, escrever um livro e plantar uma árvore. (ok, deixa livro e árvore pra depois...não quero me sobrecarregar.)

2012 promete! Que venham as mudanças, que tudo fique ainda melhor! Obrigada, papai do céu!








PS 1: olha a frase encantadora que Caio volta e meia solta por ai: "mamãe, eu te amo muito!" - é pra derreter ou não é? compensa cada xixi que ando limpando no chão! Cocô ainda não compensa não. (misericórdia, gentz! é ruim demais!)  Ele terá de dizer algo muito além disso para fazer valer a pena. Vamos, Caio, impressione-me!

PS 2: Hoje meu mini-baterista completa 1 ano e 10 meses!

PS 3: Bisóia aí a ilustração que a mamãe desenhou pro quarto novo do Caio!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

E está chegando a hora!

Friozin na barriga... tanto pedi que consegui o tão esperado teste com o alimento sonho-de-consumo. Leite ninho, é claro! (ahtá... pensava que era caviar...). Ok, ok... não é leite ninho ainda não. É teste com Nan sem lactose. S-E-M--L-A-C-T-O-S-E. Mas daí a gente fica só um cabelinho de distância da famigerada latinha amarela...

Por que tive de pedir tanto?
Seguinte: quando Caio tinha 2 meses de gritos, berros e choros vida e a alergia era novidade em nossas vidas, escutei no consultório médico que ele ficaria em dieta por 90 dias e então tentaríamos o leite de vaca novamente. E acreditei. Me apeguei ao fato de que era algo passageiro, ficaria tomando o alergomed e dali há 3 mesesinhos o coisa fofa já teria superado. Doce ilusão! 4 meses depois trocamos sim de fórmula, mas não como eu queria... passamos da fórmula para alergia moderada à fórmula para alergia severa porque o fofucho vomitava até as tripas e ainda tinha cólicas colossais diariamente. Mais 4 meses de aminomed e mudamos de novo... de marca! Agora seria neocate.

[Pausa para atender o mini-músico que acordou chamando o "galo" - aquele, que usa paletó. Sim, esse mesmo, o Carijó.] Anjinho voltou a dormir, tornemos ao relato.

Daí veio a exclusividade e todas conquistas que ela trouxe. Coisa-linda-da-mamãe com 1 ano não comia nada, só tomava tetê, mas já não vomitava mais, alcançava o brilhante marco de 5 horas seguidas dormindo, melhorou até de humor, apresentou o "coco normal de bebê" para a mamãe, enfim percebi que o bem-estar pleno dele era possível sim, e alcançável! Mas daí foram mais 8 meses de neocate e nada de ninguém querer descer o leitinho dele. Obrigada neocate, você salvou a pátria, mas... já deu! Se manda daqui! Foi um prazer, beijonãomeliga nunca mais. Lá vai mamãe tentar convencer a médica disso... Nesses meses de neocate fomos introduzindo alimentos novos, um a um, e Caio reagia a muitos deles... Isso deixava a médica receosa de avançar com o leite. Mas de tanto eu perturbar insistir, consegui o consentimento médico. Que venha o pregomin pepti! Lá se foram 30 dias de adaptação com direito a diarreia, assaduras, vômitos... mas mamãe não desiste nunca. Insistimos e tudo foi superado...

Abre parênteses para falar de adaptação. Ôooo fasezinha do cão! Essa bichinha é doida para confunfir a cachola das pobres mãezinhas e atormentar a vida do alergicozinho. Que raios essa praga vem fazer aqui toda vez que decido dar um alimento novo pro Caiozito? 30 dias para carne... 30 dias com o pregomin... agora já se passam de 40 dias com o feijão...Ela é a melhor amiga das diarreias, assaduras, cólicas e vômitos, e parente muito próxima (eu diria gêmea idêntica) da reação. Só serve para atrapalhar. Mas passa. Tem que passar! (se não passar, não se engane: Não é a praga da adaptação, é a peste da reação mesmo.)

Mas intão... Atualmente, aos 20 meses, Caio já superou várias alergias e tolera alimentos que há meses atrás reagia, como cenoura, frango, leite hidrolizado... Porque não botar em prática finalmente aquele teste que me foi prometido há mais de ano? Tem chance de dar certo, num tem? Então, to pronta! (Eu acho!) Simbora! Daí só ficará faltando o glúten, o ovo e a soja para darmos adeus definitivo à maldita da dieta. Coisinha pouca.

Um fator super relevante que pesou nessa minha decisão: aqui no meu querido Estado de São Paulo, o direito do alergicozinho é assegurado sim. Ele recebe sim a fórmula. Mas até os dois anos. Fez dois anos o Estado dá-lhe uma bicuda no bumbum e diz: "Larga essa mamadeira e vá comer feijoada, marmanjo! Tu não tem mais idade para ficar aí tomando tetezinho não!" E daí não adianta chorar, espernear, se jogar no chão. Não tem mais leitinho não. Só com ação judicial e toda a burocracia que é especialidade deste País. E olhe lá! Se pudermos evitar essa parte, lucro! Mas, se não der certo, entro com ação antes que o fornecimento seja suspenso. Usei essa desculpa esse argumento para convencer a médica. Deu certo.

E você, que tem a sorte de não precisar conhecer nadica de nada sobre tudo o que eu disse, achou esse texto mais complicado que tese de doutorado sueco? Ok. Simplifico:

Se o seu filho tem alergia alimentar, faz-se o caminho do leite mais barato para o mais caro: Nan (R$ 15,00 a lata) - Nan Soy (R$ 35,00) - hidrolizado (R$ 85,00) - aminoácidos livres (R$ 635,00 na época de Caio - pq ele já é velhinho). Como a lei de murphy não me deixa mentir, ele vai se adaptar ao mais caro, é óbvio. Esse processo chama-se "subida". (Deve ser por conta do preço...)

Daí quando o pobre respira aliviado, chega o momento da descida: de R$ 135,00 (pq qdo já não precisava mais do neocate mesmo o preço baixou! - se é que pode usar "preço baixo" e "R$ 135,00 a lata" na mesma frase) para R$ 85 do pepti, para R$ 45 do nan sem lactose até enfim chegar naquele famigerado leitinho da latinha amarela, que se encontra em qualquer supermercado pela pechincha de R$ 5 cada latinha!

Ei, intestino de Caio: é nesse aí que queremos chegar! colabora meufio, pq essa vida de requinte já não te pertence mais!

Ps 1: Daí mamãe promete que compra o leitinho do Caio e não deixa mais que o Estado dite quantos ml(s) por dia ele pode tomar!

Ps 2: A data marcada para o teste é dia 23/01/2012. Mais de um mês para cada amigo-leitor apresentar Caio diariamente em suas orações. Please. Eu brinco mas o assunto é sério, muito sério.

Ps 3: Olha meu reizinho de cabelo cortado aí!


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

H-O-M-E-N-S!

Vidinha monótona, sem novidades, sem grandes emoções. Vontade de viver uma aventura. Grande ideia: Botar marido para ajudar nos cuidados médicos de Caio.

A tarefa era simples: dirigir-se ao laboratório de análises pré-selecionado por mim - por ser o mais vazio da cidade. Entregar os papeis que deixei em ordem - fixados por um clipe. Assinar os papeis. Levar Caio na sala onde fosse chamado para botar o coletor de urina e esperar o menininho fazer xixi. Simplesinho. É pedir demais?

Contato nº 01: volta ele depois de 5min que saiu, com Caio nos braços e mochila nas costas - esqueceu o guarda-chuva.

Contato nº 02: 15 minutos depois voltam os dois de novo - sapato machucando o pé, já estavam na avenida mas resolveu voltar para trocar.

Fico impaciente e peço pro meu pai leva-los.

Contato nº 03: Ligação dizendo que o laboratório estava super lotado, que estava na fila para pegar senha. Oriento dizendo para pedir para colocarem o coletor antes que faça a ficha - embora estranhe, pois o Hormon raramente está cheio.

Contato nº04: Ligação informando que estavam no laboratório errado. Meu pai os deixou no primeiro laboratório que viu, e ele entrou sem nem olhar o nome na fachada.

Concentro todas minhas forças em meu auto-controle. Estou num dia bom. Não programei nenhum chilique para hoje.
Oriento como chegar ao local correto.

Contato nº 05: "Caio está tomando algum remédio nos últimos 7 dias?" (Ufa! signifca que estão no local certo, no Hormon perguntam isso mesmo...)

Contato nº 06: "O coletor foi colocado às 10h20, será retirado às 10h40. Se Caio não fizer xixi seinão... acho que vou embora." (Pobre pai, mal sabe que eu já esperei 3h por esse bendito xixi! - Ainda estou me controlando, destrui só a metade dos móveis.)

Apreensiva, aguardando cenas do próximo capítulo.
Tensa. Ansiosa. Cheia de expectativa.
Arrependida até o último fio de cabelo.

Mas consegui arranjar grandes emoções.

H-O-M-E-N-S!!!!!!!

PS 1: o contato de nº 07 foi para avisar que Caio fez xixi. E coco. Babaus exame! Papai teve de se virar e trocar a fralda de número 2. Número 1 ele encarava, diariamente. Mas essa foi um desafio. Fiquei com tanta dó que a vontade de matá-lo diminuiu em 30%...
você também hein Caio... não colabora, menino!

PS 2: posso adiar o exame para depois do desfralde?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ser mãe de alérgico é...

Viver uma grande emoção a cada troca de fraldas;
Comemorar cada dia que se passou sem nenhuma reação;
Comemorar "reações leves";
Contar número de vômitos diários, usando os dedos das mãos, dos pés e ainda faltar alguns dedos;
Ir ao mercado e ficar paquerando a prateleira de leites, escolher um tipo para cada fase, ver todas as fases se passarem e você não pôde comprar nenhum deles;
Sonhar com danoninho, biscoitos e bolos que nem se sabe se o alergicozinho vai gostar;
Investigar rótulos de alimentos;
Ligar de SAC em SAC para saber se tal produto é "limpo";
Ter dúzias de informações erradas e continuar ligando mesmo assim;
Escrever um blog falando sobre coco, brotoejas e noites insones;
Achar que o mundo desmoronou cada vez que um alimento novo dá errado,
e, com a mesma intensidade, sentir que nada mais pode dar errado cada vez que algum alimento é introduzido com sucesso;
Conhecer (e ter em casa) uma dúzia de anti-alérgicos;
Suspeitar de tudo e de todos;
Tirar fotos - no mínimo - inusitadas;
Procurar o alimento "culpado" cada vez que o baby tosse;
Adiar a ida à escola o máximo que puder;
Conhecer siglas como APLV, SO, AA, IGE...
Ensinar seu filho a alimentar-se de forma saudável - mesmo que sem querer;
Ter o número de telefone de gastro, pediatra, alergo, imuno, pneumo, homeopata e bombeiros na agenda de seu celular;
Tentar controlar-se o tanto quanto puder para não ligar para nenhum deles;
Não resistir e ligar sim - para desespero dos pobres médicos;
Encontrar centenas de opiniões erradas;
Descobrir que você sabe mais sobre a saúde de seu filho do que a maioria dos profissionais a quem recorre;
Encontrar algumas opiniões certas e apegar-se à elas;
Aprender a confiar em seu instinto de mãe;
Investir em dieta, dieta rigorosa, dieta radical para apressar a cura;
Afrouxar na dieta e fingir que não viu para apressar a cura;
Aprender a aceitar - e as vezes pedir doações;
Conviver com a frustração de não poder bancar a comida do seu filho;
Conhecer outras crianças com o mesmo problema, conhecer crianças com problemas piores, fazer amizades com mães desconhecidas, encontrar abrigo e amparo em mensagens virtuais, solidarizar-se e acompanhar casos de outras crianças e torcer por elas como se fossem seus filhos também;
Acompanhar cada progresso com entusiasmo;
Chorar de emoção ao perceber que seu filho quase não vomita mais;
Comemorar cada introdução alimentar bem sucedida;
Comemorar cada retirada de medicamentos bem sucedida;
Saber enumerar, de cabeça, muitas vezes até contar nos dedos (dessa vez só os das mãos...) cada alimento que seu filho pode comer - e morrer de orgulho de cada um deles;
Fazer uma festa quando o baby (que já nem é tão baby assim) dormir uma noite inteira pela primeira vez;
Decretar feriado nacional quando ele dormir bem por uma semana inteira;
Convocar a rainha da Inglaterra para a festa quando atinge o brilhante marco de 1 mês seguido de noites bem dormidas;
Perder a esperança novamente, mas lembrar-se de que não pode desistir;
Perder a vontade de desistir;
Seguir em frente sempre;
Saber que a recompensa por tudo isso jamais poderia ser melhor: garantir o bem estar dessa pessoinha que, com alergia ou sem alergia, com diarreia ou constipação, pele boa ou empolada, vomitando ou cheirosinho, pedindo a comida proibida do coleguinha ou em greve de fome, chorando a noite toda ou dormindo a noite toda por conta da sedação do antialérgico...é seu filho querido, o melhor que você poderia ter, o mais amado dentre todos os filhos do mundo, um serzinho tão especial que te deu o privilégio de ser mãe. Ser mãe de alérgico. Mas não de qualquer alérgico...

Orgulho de ser mãe do MEU alérgico! Orgulho de lutar por ele até o fim, mesmo quando minha sanidade é colocada em questão.

É assim que sou.

E, afinal, me digam: sou muito diferente desta espécie surtada, neurótica, obsecada, louca de amor e incrivelmente encantadora conhecida como "MÃE"?

PS: boto uma fotinha de mamãe e Caio assim que eu fizer um escova decente e dar um trato no visu... sabe como é... o feijão acabou comigo. Tudo culpa do feijão.